Minas Gerais registra quase 128 mil casos de violência doméstica em 2023

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Minas Gerais registra quase 128 mil casos de violência doméstica em 2023

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Minas Gerais enfrenta um grave problema de violência doméstica, com 127.939 vítimas registradas entre janeiro e setembro de 2023. Além disso, o estado contabilizou 227 casos de tentativas de feminicídio e feminicídio, conforme apontam dados do Observatório de Segurança Pública. Essa realidade alarmante destaca a urgência de ações efetivas para proteger as vítimas e prevenir novas ocorrências.

Em resposta ao aumento da violência, o número de mulheres que utilizam o botão do pânico no estado dobrou, passando de cerca de 600 para 1.226 em um ano. Este dispositivo, que alerta as autoridades sobre a aproximação do agressor, é concedido pela Justiça através de medidas protetivas. A Promotora de Justiça Denise Guerzoni, do Ministério Público de Minas Gerais, assegura que o estado possui equipamentos suficientes para atender todas as vítimas de maior risco e orienta que as mulheres procurem as delegacias para solicitar o dispositivo.

Apesar do crescimento no número de usuárias do botão do pânico, especialistas como a pesquisadora Ludmila Ribeiro, do Núcleo de Criminalidade da UFMG, apontam que o sistema ainda precisa de melhorias. Ribeiro argumenta que, embora o poder público tenha feito esforços, a tecnologia disponível para monitoramento e proteção das vítimas deve ser aprimorada. Ela afirma que a capacidade de rastreamento digital já existente em outros setores deveria ser aplicada na segurança das mulheres em situação de violência.

Um exemplo preocupante é o relato de Jhenifer dos Santos, que já teve acesso ao botão do pânico, mas atualmente está sem o dispositivo. Jhenifer, que escapou de um relacionamento violento, revelou que vive com medo constante de uma visita indesejada de seu ex-marido, que já enfrentou a Justiça e está foragido. Sua experiência ressalta a necessidade de um monitoramento efetivo para garantir a segurança das vítimas.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os dispositivos são disponibilizados após decisão judicial e que há mais de 2 mil equipamentos disponíveis. A pasta também destacou que a central de monitoramento possui tecnologia para acompanhar os casos e agir quando há aproximação entre a vítima e o agressor, mesmo sem o acionamento do botão do pânico. No entanto, a eficácia desse sistema ainda é questionada por especialistas e pelas próprias vítimas.

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