Incêndio em Itacoatiara completa 54 dias e ameaça território indígena

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Incêndio em Itacoatiara completa 54 dias e ameaça território indígena

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Um incêndio florestal na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, está ativo há 54 dias e já devastou mais de 4 mil hectares de vegetação, o que equivale a cerca de 5,6 mil campos de futebol. Na última sexta-feira (23), as chamas continuavam a se espalhar por parte da Terra Indígena (TI) Paraná do Arauató, um território tradicional do povo Mura. Apesar do esforço de equipes estaduais e federais, o controle do incêndio ainda não foi alcançado.

O acesso à área afetada é complicado, exigindo deslocamentos por estradas e, em alguns trechos, por embarcações, o que dificulta significativamente o trabalho de combate ao fogo. Além disso, as queimadas estão gerando uma densa fumaça que encobre o município de Itacoatiara, resultando em um dos piores índices de qualidade do ar monitorados no estado. Na manhã de sexta-feira, a concentração de partículas finas suspensas no ar alcançou 250 microgramas por metro cúbico (µg/m³), caindo para 148,8 µg/m³ algumas horas depois, mas ainda assim permanecendo na categoria péssima, conforme dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) informou que a fumaça que afeta Itacoatiara também provém de incêndios em outros municípios do Baixo Amazonas e do oeste do Pará. O vento tem levado a fumaça para outras cidades, incluindo Manaus. Na tentativa de conter os incêndios, brigadistas e aviões estão sendo utilizados, mas a mobilização ainda enfrenta a complexidade da situação.

O primeiro registro de foco de calor nesta região foi feito em 30 de agosto, e desde então, novas chamas têm surgido, complicando ainda mais as ações de combate. Moradores locais relataram a morte de animais e problemas de saúde decorrentes da fumaça. A cacica da Aldeia Paricá, Aldenora Maquinez Lima, expressou preocupação com a fauna e os impactos do fogo, afirmando que muitos animais estão fugindo e morrendo devido às chamas.

Na Vila de Lindóia, um outro incêndio já consumiu mais de 800 hectares. Moradores e líderes comunitários estão se mobilizando para ajudar a conter as chamas, doando combustível e alimentos para as equipes que atuam no combate ao incêndio. O governo federal está concentrando esforços em regiões isoladas, contando com 17 aeronaves, nove embarcações e 66 veículos para auxiliar nas operações.

Uma força-tarefa formada por 474 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de membros da Força Aérea Brasileira e da Força Nacional, está envolvida no combate aos incêndios. Com a colaboração das autoridades e da comunidade, espera-se que a situação seja controlada em breve, embora os desafios sejam significativos.

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